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In The Heights (2021), dir. Jon M. Chu
Quando o assunto é musicais, o nome de Lin-Manuel Miranda se tornou atualmente um dos destaques desse gênero, seja nos palcos de teatro ou nas telinhas e telonas. A famosa música “How Far I’ll Go” de Moana, foi ele que compôs, assim como todas as músicas do musical premiadíssimo de Broadway “Hamilton”, ambos trabalhos famosos e bem sucedidos. Todo esse sucesso começou com In The Heights em Broadway lá em 2008, quando Lin ganhou vários Tony e até um Grammy por suas composições. Se fosse seguir a lógica vitoriosa, suas mais novas composições em In The Heights, que é adaptação desse mesmo musical e dirigido por Jon M. Chu, também seria mais um motivo para aplaudir o seu talento musical (tirando os fatores “canceladores” que ele tem em off). Bom, aqui não vai rolar nenhum aplauso.
Em In The Heights (2021), conhecemos um bairro latino na periferia de Nova Iorque. O filme é narrado por Usnavi, dono de uma loja local. Acompanhamos um grande (repito, grande) grupo de pessoas em busca dos seus sonhos em meio às dificuldades que os rodeiam.
Apesar de ser dirigido por Jon M. Chu, o musical grita Lin-Manuel Miranda em todos os aspectos, seja na temática, nos personagens, e principalmente na sonoridade das músicas, o que se tornou um ponto negativo para mim. Não pude deixar de perceber que existe uma tentativa a la Hamilton de narrar todos os acontecimentos com músicas. Ok, sabemos que isso é extremamente comum em musicais, óbvio, e que nunca irá me incomodar se somente for esse o fator. O que quebra a diversão da coisa é a banalidade das letras com sons que não combinam de jeito nenhum. Combinou com Hamilton, mas não aqui. Temos personagens que cantam apenas em um tom e voz, como por exemplo a Vanessa, que só canta em uma sonoridade baixa, calma e romântica. A partir disso, o musical utiliza um ritmo que contrasta completamente com a voz dela, o que eu também acredito que tenha sido de propósito, um “conceito” em misturar os ritmos para mostrar a diversidade do local. A impressão que deixa é de pura bagunça e desespero em fazer com que a música fique interessante por mais de 4 versos. Além de, pelo longa apresentar vários personagens “coadjuvantes” (que têm um screentime bem semelhante ao do protagonista), presenciamos situações como essa várias e várias vezes. Os personagens revezam o holofote cinematográfico a cada 10 minutos de cena com bases banais e simples até demais, tornando impossível ter uma ligação emocional ou até mesmo empática com qualquer um deles. A demora de voltar para o seu plot impede que essa conexão exista. E é com base nisso que o desespero musical aparece para tentar recuperar esse ponto extremamente essencial para continuar aproveitando o que há de bom (aceitável) no filme.

Usnavi (Anthony Ramos) e Vanessa (Melissa Barrera)
Falando em outros aspectos mais técnicos, a problemática aparece na metade do filme, em que tudo já está extremamente cansativo pela quantidade de coisas acontecendo, e nenhuma delas chega a ser no mínimo interessante. É nesse momento que também acontece um corte muito brusco da diversão do começo para o drama que segue até o final do filme, sempre tendo uma grande margem para comédia (que também não cativa). É uma mudança muito crucial, que pode salvar o filme ou pode afundá-lo mais ainda, e essa segunda opção foi o que aconteceu. O bairro, que tem a energia cortada para todos da vizinhança, começa a rever o seu futuro em conflito com suas origens. Os moradores devem sair daquela vizinhança que tanto os acolheram por todo esse tempo? Essa questão se torna mais individual para os núcleos dos personagens, tornando mais difícil ainda para tentar se importar com o que eles vão fazer ou deixar de fazer. Peco em dizer que as únicas personagens que me deixaram com um pouco de curiosidade foram as donas de um salão de beleza e que foram as menos exploradas no decorrer da história. Eles jogaram fora um pote de ouro que poderia salvar a narrativa por completo.
O filme consegue ser vibrante visualmente, repleto de cores e de sequências musicais com dançarinos impecáveis que sustentam seu olhar por um tempo. É algo que está presente nos filmes do Jon M. Chu, levando em consideração Crazy Rich Asians (2018), que é um filme bem colorido e chamativo. E também em Now You See Me 2 (2016), que sabe ter uma sequência de cenas intensas e cativantes.
A direção de arte é linda e bem construída, mas no final das contas, sinto como se tivesse assistido uma versão anterior e falha de Hamilton. Diferentemente do musical de Broadway, com suas diversas narrativas e tudo sendo narrado em forma de músicas, In The Heights utiliza elementos semelhantes na tentativa de ter a legitimidade do hype que Hamilton um dia teve. Até conseguiu para algumas pessoas, mas não foi meu caso.
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