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"Dedicated to the ones who had to depart. See you on the road."

Foto do escritor: Samara Torres
Samara Torres
21 de fev. de 2021
3 min de leitura

Atualizado: 28 de mar. de 2021

Algumas palavras sobre o novo filme de Chloé Zhao, Nomadland.


Nomadland (2020), dir. Chloé Zhao

That ring is a circle. And it never ends. And that means that your love never ends. And you may not be able to take it off if you tried.


Sabemos que o cinema não precisa beirar a nossa realidade como regra de excelência, mas, particularmente, quando é reproduzido de uma forma tão real num formato mais belo ainda, me sinto submersa em um sentimento imaculado. Esse que me trava, que me faz pensar que não seja possível de ser descrito em meras palavras. Não falo exclusivamente da réplica de situações cotidianas, mas também a concepção do interior humano. Já assisti inúmeros filmes que adiante viraram favoritos e que nunca consegui explicar o que senti; Mas Nomadland me forçou (da forma mais positiva possível) a me sentar e digitar isso.




Acredito fielmente que essa força veio pela junção perfeita de todos os elementos desse filme. Aqui, nos deparamos com a solidão de Fern, uma mulher em busca do que é mais interessante na vida, que se casou com um cara meses após o conhecer, que vai para uma cidade pequena e só sai dela um tempo depois o fechamento da indústria onde trabalhava e também após a morte do seu marido. A ausência dos dois elementos que a faziam ficar nessa quase-rotina-comum agora se torna em coragem (lê-se fuga interna) para pegar uma van e viajar por aí, resgatando o que havia amornado depois de um tempo na vida pacata em que o amor era a âncora.


Frances McDormand, futura two times Academy Awards winner. como Fern

Agora, Fern se encontra sozinha na estrada, apesar de encontros pelo meio do caminho sem destino. Ela por ela é representado visualmente com a troca constante entre planos fechados e abertos em paisagens desérticas, numa tentativa certeira de nos lembrar o que a incentivou nesse novo estilo de vida. A câmera solta nos faz acompanhante de Fern. O silêncio é preenchido com um trabalho impecável de Ludovico Einaudi, com músicas que conseguem descrever a conversa que a personagem tem com si mesma. A música se torna uma ponte aos pensamentos de Fern, traduzindo perfeitamente o que ronda dentro de si.


When you were growin' up, you were eccentric to other people. You maybe seemed weird, but it was just because you were braver and more honest than everybody else. And you could see me when I was hiding from everybody. Sometimes you could see me before I saw myself.


Fern não é uma mulher de palavras, que se senta e desabafa como a maioria dos companheiros de estrada fazem, mas aí que a coisa fica interessante: é a partir das histórias alheias que conhecemos a história dela. Com o ponto-chave sendo a naturalidade vinda do talento da Frances McDormand, sabemos como a Fern lida com a vinda e a ida, com recordações, com perdas, com mudanças, com a solidão. Essa, que carrega por si só um peso melancólico, mas que se torna companheira fiel de estrada. Assim como o anel que enrosca seu dedo mesmo após a ida do seu marido, ambos não conseguem largar as mãos de Fern, que é conhecida como uma mulher de grande braveza por conseguir seguir nesse caminho espinhoso.



Linda May, uma das colegas de Fern, e Fern.



Os personagem que completam essa história são, acima de tudo, emocionantes. Você se sente conectado, atento, quase como se estivesse presente ao seu lado enquanto contava sobre como foi parar ali numa van também.

A edição perspicaz torna a construção dos fatos em algo coerente, natural e suave. Entendemos o tempo e o desenvolvimento dos atos sem pressa alguma. A organização de cenas oriunda da escrita caprichada impede completamente de ser uma experiência chata e monótona.

Chloé Zhao me impressionou de uma forma absurda aqui. Fui de mãos vazias e sai carregando pensamentos que espero que nunca larguem de mim. Caso isso aconteça, um rewatch vai ser a solução.


Oh, I see somethin' neat.


10/10

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